Redimensionar a metaposição da mulher diante do materialismo histórico foi um affair que só Simone de Beauvoir conseguiu realizar. Embebida na dialética claudicante de Sartre, para quem a náusea era o nó górdio da condição proto-existencial, Beauvoir gerou Sontag, que gerou Paglia, que gerou Bruni.
Consciente desta “kronos-”logia feminista, Neguinho da Beija-Flor deu vazão ao pós-niilismo rasteiro da modernidade e cadenciou em um hino soprado a lucidez coletiva. “Mulher, mulher, mulher” não encerra apenas um ciclo de desilusões ou uma lógica auto-reflexiva; a canção ecoa como uma deliciosa Marselhesa para a Mulher-Melancia. Allons! Femmes de la patrie, le jour de gloire est arrivé!