Buarque (Agora Era Fatal)

Julho 30, 2007

Maria

Arquivado em: cinema — buarque @ 5:37 pm

Donde emanam as transmutações mais perversas do ser, Abel Ferrara bebe. Do sagrado-profano inteiro (ir e vir), também. Por conta desse microcosmo cabal, nada mais natural do que extrair da Bíblia sua estória mais crucial.

“Maria” (2005), é o apogeu da substancialidade travestida de conforto. De um lado, uma atriz acuada (Juliette Binoche) que resolve buscar sua redenção espiritual. De outro,  um apresentador de tevê atormentado (Forrest Whitaker) com sua existência vulgar, que toma forma em um conflito envolvendo sua esposa grávida (Heather Graham) e a questão da fé. Numa posição aleatória deste triângulo isósceles, um diretor de cinema sem escrúpulos (Matthew Modine, excelente), que vai tentar impôr sua visão do milagre de Jesus de forma branda, porém contundente.

É o bastante para a formação de um pathos residual. Mímico do seu próprio desassossego, Ferrara explode uma miríade de significantes ali, bem em frente ao espectador. O que coletar deste manancial retórico é missão gloriosa que é transferida ao eu-observador.

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