O galpão não existe. O escritório não existe. O clientes e o olho de vidro também. Não existem. O que existe é a mentira que o personagem de Selton Mello proclama para não deixar ser esquecida: “Esse cheiro não é meu. Vem do ralo aqui atrás”. Grossa e inútil justificativa. De ilusão em ilusão a trama se revela. Não existe o banheiro, mas existe o buraco. A bunda é uma surpreendente alegoria com a “preferência nacional”, sinal de que o diretor é mais um do ramo a tentar entender o Brasil. O ralo é o verdadeiro eu por trás da máscara do personagem. O buraco é o vazio de uma existência anônima e solitária numa metrópole moderna. O cheiro é aquilo que somos realmente.
Julho 30, 2007
2 Comentários »
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Muito bom isso aqui. Favoritei agora mesmo!
Comment por Ricardo — Julho 31, 2007 @ 9:25 pm
Filmes nacionais são muito pretensiosos, mas sem conseguir ter a mesma profundidades do cinema europeu e às vezes do asiático também. Eu recomendo que todos cineastas brasileiros assistam Kiarostami, que tem um olhar mais sensível do mundo.
Comment por ferrão — Agosto 3, 2007 @ 8:20 pm