Crianças, crianças, crianças. Em “Pecados Íntimos” (2006, de Todd Field) elas estão por toda a parte: nos playgrounds e escolas, nas piscinas públicas e espaços privados, mas sobretudo no âmago dos adultos que debatem-se em desespero ante a contingência sartreana. Sarah (Kate Winslet, quintessencial) e Brad aproximam-se no desempenhar do cuidado pat(mat)erno, mas eles mesmos são infantes aprisionados na imatura realidade de seus eus adultos. Daí o sexo selvagem sobre a máquina de lavar, e dele o vislumbre da transcendência. Mas mesmo o pedófilo Ronnie, com suas pupilas de Sinatra, títere de avassalador transtorno psicossexual, sabe que qualquer fuga é vã. Urge engendrar a transformação no aqui e no agora, na própria carne se necessário. O adulto não teme castrar em si o que o castra.
Agosto 3, 2007
4 Comentários »
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Vi a sugestão de leitura de sua página num comentário no blog do Piza.
Sua síntese é impressionante. Por falar pouco, nos deixa falando sozinhos.
“O adulto não teme castrar em si o que o castra.”, esse é o pecado íntimo de cada um.
Já favoritei suas sucintas críticas!
Comentário por Patrícia — Agosto 4, 2007 @ 8:43 am
a traicao no filme é usada muito como um veiculo pra escapar do dia-a-dia, acho que nao tem a ver com a infantilidade das pessoas, é mais um tédio do homem pós-moderno mais achei fraco o filme, nao explora a cabeça dos casais direito
Comentário por ferrão — Agosto 4, 2007 @ 12:38 pm
Fui com a outra metade do casal que faço parte e não me senti explorado. Ferrão tudo sabe, só senti logrado mesmo com tantos personagens vazios.
Comentário por Menezes — Agosto 4, 2007 @ 4:10 pm
Muito bom o filme. E nele Kate Winslet está uma graça – para não soar pornográfico.
Comentário por Edson Junior Lain — Setembro 21, 2007 @ 10:46 am