Banzai! – ou, em língua portuguesa: Dez mil anos! Todo homem é uma ilha. Os biônicos nipônicos de “Cartas de Iwo Jima” (Clint Eastwood, 2006) são o Japão. Ao retratar essa peculiar batalha da Campanha do Pacífico do ponto de vista do povo do sol nascente, o diretor de “Bronco Billy” (1980) nos força a revisitar nossos conceitos de honra e perseverança. Para o culto e compassivo general Tadamichi Kuribayashi, não há distinção entre a alma da pátria e o solo do indivíduo. Morrer pelo Império é dissolver-se novamente em sua sacralidade totalizante, uma transubstanciação tão sedutora que a própria sobrevivência, ainda que acidental, é que torna-se desonrosa. Enquanto a fragilidade do humano se revela nas recordações afetivas e na escritura de cartas que nunca serão entregues, a tenacidade sobre-humana ganha contornos palpáveis no enfrentamento de bombas e desinterias. A guerra é maravilhosa. Pena que morre gente.
Agosto 7, 2007
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