Rebatucando o despojamento feminino de Chaka Khan (“I’m Every Woman”) e expurgando o lamento sestroso de Dolly Parton (“I Will Always Love You”), Whitney Houston conquistou o planeta com timbres que fundiam mansidão e selvageria; erudição e pop; baunilha e garam masala.
Os que caírem na tentação de evocar apenas a fase madura da cantora ignorarão que foi no crepúsculo juvenil dos anos 80 que a garotona Houston nos deu “Saving All My Love for You” e “Didn’t We Almost Have it All”. Seu segundo álbum – o enigmático Whitney (1987) – ainda vive hoje como um dos statements mais poderosos do século 20 sobre corações partidos e a força interior. No que talvez seja sua magnum opus, WH ousa rebater a própria inquietação “I Wanna Dance with Somebody” com o visceral e parentético “([With Somebody] Who Loves Me)”.