Buarque (Agora Era Fatal)

agosto 7, 2007

O Segredo

Filed under: literatura — buarque @ 5:41 pm

(de Rhonda Byrne, Ediouro, 198 pg., R$ 39,90)

Muito já se debateu sobre o livro “O Segredo”, de Rhonda Byrne. A mídia, ávida mídia, primeiro colocou a obra sobre um palco, depois no banco dos réus e agora no leprosário. Nas rodas intelectualóides, ao menos, a suposta inteligentzia galhofa do fenômeno editorial, considerado o mais recente capítulo da Grande História do Charlatanismo. Mas será mesmo?

“O Segredo” é um caleidoscópio, um espelho quebrado de depoimentos e teorias. Que, no entanto, ganha foco sob o prisma pós-moderno. Se Byrne (australiana, audiovisual, autora) e sua Lei da Atração dizem que tudo possível, então nada posso. Se é real o sonho, não me assanho. Se o agora é utopia, não topo. Reside aí a ilusão de ótica do best-seller: recorrer à auto-ajuda é socorrer a si mesmo, e o resto que se forre.

julho 31, 2007

Cock & Bull

Filed under: literatura — buarque @ 8:18 pm

Will Self. Vontade. Própria. Querer. Si mesmo. Como na masturbação, os segredos de Cock & Bull são revelados a cada suave toque do autor. Lentamente, a alegoria freudiana de Self penetra na psiquê de – escusem aqui meu gaulês rudimentar – caralhos e bucetas. Falta, no entanto, ao hermafroditismo tardio do autor nu um auto-sentido consciente da transcendência espaço-genital.

No despertar do devaneio, o autofágico phalos engole o gluteus maximus, a labia majora – pai e mãe homoeróticos da onisciência. O que resta é o menos do que a nudez. O felatio de Self é uma obra a ser lida e lidada com todos os dedos.

julho 30, 2007

Everyman

Filed under: literatura — buarque @ 5:55 pm

Gera. Regenera. Já era. Quem dera fosse tão simples quanto queria Scandurra. Em “Everyman” (Houghton Mifflin, 2006), o autor judeu estadunidense Phillip Roth debruça-se sobre aquela que é a mais unificadora das experiências humanas: a morte. Obcecado com as moléstias do corpo, tanto as suas quanto as alheias, o protagonista sem nome enfrenta com sarcasmo e pragmatismo as agruras do cotidiano e os sobressaltos do seio familiar, irradiando perplexidade diante do inominável. Desde a primeira página, sabemos que ele morre. Mas quem não há de?

Manos de Caballo

Filed under: literatura — buarque @ 3:45 pm

O jogo. A vida. A imobilidade de um tabuleiro frio. Daniel Galera nos põe de frente com questões nevrálgicas da existência pós-moderna. Não tanto o fato de explicitar o alpinismo da existência: na verdade, Manos de Caballo nos incita a questionar a própria noção do eu.

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